Que tipo de homem é você? 

Programa H completa sete anos promovendo uma nova masculinidade
Brasil, Índia, México, Nicarágua e Tanzânia são alguns países onde a intervenção social foi implementada com sucesso.

   
Os homens podem mudar? É possível fazer com que os próprios homens reflitam sobre seu comportamento e, com isso, adotem atitudes mais eqüitativas, distantes do modelo tradicional de masculinidade que os leva a ser agressivos, emocionalmente contidos e negligentes com a própria saúde? O Programa H, que o Promundo desenvolveu em parceria com outras ONGs, mostrou que sim. Já são sete anos de sucesso dessa intervenção social inovadora, que nasceu na América Latina e alcançou países da África, Ásia e Europa.

“Trabalhar com os homens jovens é estratégico porque é nessa fase da vida que começam a estabelecer relações afetivas e sexuais, sendo um momento oportuno para discutir questões como eqüidade, respeito, paternidade e autonomia”, explica Gary Barker, Diretor-Executivo do Promundo e um dos idealizadores do Programa H, que já foi implementado com sucesso no Brasil, no México e na
Índia . Atualmente o programa está em fase de adaptação para outros cinco países: Vietnã, Tanzânia, Bósnia-Herzegóvina e Sérvia e Montenegro.

Como funciona
A intervenção social foi pensada para homens jovens de 15 a 24 anos e atua em duas frentes: reflexão crítica individual e conscientização comunitária. No primeiro nível, o objetivo é fazer com que os rapazes reflitam sobre os “custos” da masculinidade tradicional e avaliem seu próprio comportamento. As atividades incluem oficinas e reuniões periódicas, em que os jovens participam, interagem e conversam sobre a maneira como foram criados, suas experiências de vida e o tipo de comportamento que a sociedade “espera” que eles tenham.

Na outra esfera de atuação do Programa H, a intenção é ampliar a discussão para a comunidade, garantindo um ambiente propício para a mudança de comportamento. A fim de reforçar as mensagens das atividades em grupo, campanhas de comunicação são criadas junto com os próprios jovens para que um modelo de masculinidade diferente da norma, mais eqüitativo, mostre-se mais atraente e “aceitável”, tanto para os jovens individualmente quanto para a comunidade onde eles vivem. Assim, peças com o mote da campanha, como pôsteres, camisetas e preservativos, são distribuídas para promover novos modelos sócio-culturais na comunidade.

Resultados
Uma das inovações do Programa H é a realização de uma avaliação de impacto após a intervenção. Foi criada a Escala de Eqüidade de Gênero para Homens (EEGH), que permite detectar mudanças nas opiniões e nos comportamentos relatados por homens jovens com relação às normas tradicionais de masculinidade. Assim, após a participação nas atividades do Programa H, observamos novas percepções dos homens jovens sobre os papéis que podem desempenhar no âmbito das suas relações sexuais, dos cuidados com a saúde
sexual e reprodutiva, da violência contra a mulher, entre outros assuntos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, os números são animadores. Em uma das comunidades avaliadas, o uso de camisinha entre os jovens aumentou de 58% para 87% depois da participação nas ações do Programa H. A atitude dos homens frente à iniciativa da mulher também foi mais positiva: o número de homens jovens que diziam “que seria uma ousadia se a minha mulher me pedisse para usar preservativo” caiu pela metade.

Os números mostram que, uma vez livres dos estereótipos de gênero, os homens adotam novas posturas em relação às tarefas domésticas e aos cuidados com os filhos. O percentual de homens que concordaram com a afirmação de que “trocar fralda, dar banho e dar comida ao filho são coisas de mãe” caiu de 31% na pesquisa pré-intervenção para 21% na avaliação de impacto, realizada um ano depois em uma das comunidades. O Programa H foi implementado em três comunidades de baixa renda do Rio de Janeiro. A avaliação de impacto foi realizada em 2004.


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