Vozes de Resistência

Abordagem pioneira garante eficácia das intervenções sociais
Promundo enfatiza experiências positivas dos moradores das próprias comunidades

   
Ouvir o que os indivíduos têm a dizer. Analisar os fatores psicológicos e sociais que influenciam a maneira como pensam e agem. Identificar, com isso, aquelas pessoas que questionam, por iniciativa própria, os modelos sociais rígidos e não eqüitativos. E por fim elaborar, com base nesses questionamentos já existentes, intervenções e campanhas sociais de prevenção de violência e promoção da eqüidade de gênero. Isso é o que o Promundo chama de construir a partir das “vozes de resistência”, abordagem que permeia nossos projetos e permite que sejam relevantes para a comunidade onde são implementados, garantindo resultados sustentáveis a longo prazo.


O Programa H foi a primeira intervenção social do Promundo a utilizar essa abordagem. O trabalho surgiu a partir da extensa pesquisa de campo que deu origem ao livro “Dying to be men” Morrendo para Ser Homem na tradução literal, em que Gary Barker, Diretor-Executivo do Promundo, analisa os fatores que influenciam a construção da masculinidade de jovens do Brasil e de outros países em desenvolvimento.

“Existem sempre vozes de resistência, indivíduos que conseguem enxergar a matriz social das relações de gênero tal qual ela é: uma maneira frágil, às vezes dolorosa e desigual, de organizar o mundo e as relações pessoais”, explica Gary Barker, Diretor-Executivo do Promundo. Ele explica que os homens que “resistem” aos modelos violentos e rígidos de masculinidade, com freqüência, gostam de alguns dos aspectos ligados à masculinidade tradicional, como a prática de esportes. No entanto, questionam atitudes como bater em mulheres, relegar o cuidado dos filhos totalmente à mulher ou a “obrigação” de reagir violentamente caso seja insultado. “É extremamente importante ouvir essas vozes e identificar quais os fatores que permitiram que esses homens desenvolvessem um comportamento respeitoso, não-violento e carinhoso em suas relações pessoais”, completa Gary.

A mesma premissa vem sendo utilizada também no projeto Crianças, Sujeitos de Direitos, que tem como objetivo estimular a participação infantil e promover o fim do castigo físico contra crianças usado como medida educativa. Pais e crianças de diferentes comunidades no Brasil e na América Latina foram ouvidos para entender como se dá a dinâmica familiar e identificar os aspectos que levam os pais a usar ou não o castigo físico e humilhante e a promover ou não participação das crianças nas decisões que lhes afetam diretamente.

O Programa M - similar ao Programa H -, destinado a promover o empoderamento e a autonomia das mulheres jovens, também lançou mão dessa abordagem para identificar “o que significa ser uma mulher jovem” nos diversos contextos sociais em que o programa está sendo implementado. Atualmente a intervenção já foi realizada no Rio de Janeiro (atualmente em fase de avaliação de impacto) e está em fase de adaptação na Índia e na Tanzânia.

“Ouvir as ‘vozes de resistência’, além de fundamental para o sucesso do trabalho, é um reconhecimento do direito dos indivíduos de serem incluídos e incorporados em todo o processo de mudança social”, completa Gary.


Saiba mais sobre os projetos do Promundo:

Programa H
Programa M
Crianças, sujeitos de direitos