Rede de Homens pela Equidade de Gênero lança campanha
“Dá licença, eu sou pai!”



Desde agosto, a Rede de Homens pela Equidade de Gênero está lançando em cinco capitais brasileiras a campanha "Dá licença, eu sou pai!". A iniciativa tem como objetivo estimular os homens a exercerem o direito de cuidar, solicitando a Licença Paternidade em caso de nascimento ou adoção de um filho, assim como, promover uma mobilização pública em prol da ampliação do período, de cinco dias para pelo menos um mês, conforme prevê projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados. Além de veiculação de peças de comunicação, estão previstas audiências públicas, que reunirão parlamentares, representantes do poder público e de movimentos sociais para debater o assunto. As cidades envolvidas diretamente na ação são: Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre.


Sobre o direito - Para ter acesso a Licença Paternidade basta que o trabalhador, empregado com carteira assinada, notifique o empregador sobre o nascimento/adoção de seu filho. O empregador não pode negar a licença, pois a não concessão do direito pode implicar em reclamações trabalhistas. "Este é, principalmente, um direito da criança, de ter o pai e a mãe ao seu lado nestes momentos tão importantes de acolhida, seja pelo nascimento ou pela adoção", avalia Jorge Lira, integrante da Rede Brasileira de Homens pela Equidade de Gênero e coordenador do Instituto Papai.


A contagem da licença-paternidade deve se iniciar em dia útil a partir da data do nascimento/adoção da criança. Dia útil porque é uma licença remunerada, na qual o empregado poderá faltar ao trabalho sem implicações trabalhistas, conforme determina o artigo 473, III da CLT.







Homens desconhecem o direito à Licença Paternidade



No Brasil, grande parte dos homens desconhece o direito à Licença Paternidade, apesar de saber do direito da parceira à licença maternidade. Estes dados fazem parte de levantamentos realizados pelos Institutos Promundo e Papai, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e Universidades Federais de Pernambuco, Santa Catarina e Minas Gerais, com jovens do sexo masculino do Recife (PE) e do Rio de Janeiro (RJ).

Uma sondagem feita pelo Instituto Promundo com 247 entrevistados jovens (15 a 24 anos) residentes em comunidades de baixa renda do Rio de Janeiro (capital) demonstrou que há um grande desconhecimento dos direitos dos novos pais e mães trabalhadores. Dos homens consultados, 83,4% não conhece a licença paternidade e 31% dos respondentes afirmaram conhecer a licença maternidade. Daqueles que sabiam do direito, apenas 14,6% acertaram o numero de dias previsto na legislação.

Já em Pernambuco, uma pesquisa realizada com recifenses, entre os meses de maio e junho deste ano, pelo Instituto Papai, demonstra que os homens querem a ampliação do período de licença paternidade. 78% dos entrevistados afirmaram que cinco dias são insuficientes para dar suporte à mãe e acompanhar os primeiros dias do filho adotivo ou natural. Há também o desconhecimento de grande parte dos trabalhadores sobre o seu direito. 76% disseram conhecer a licença maternidade, mas apenas 66% sabiam sobre a paternidade. Somente um em cada três homens que conhecia o seu direito sabia o período correto da licença.   Sobre o uso do direito: 29% afirmaram que utilizaria os dias para ajudar a mãe; 19% para cuidar do filho; 37% para ajudar a mãe e cuidar do filho; 12% deram outras respostas e 3% não opinou.   


Internautas da BBC Mundo aprovam ampliação

A Campanha “Dá licença, eu sou pai” ocupou a página principal da BBC Mundo no início de setembro. Além da reportagem, uma enquête questionou os internautas sobre a viabilidade econômica e social da proposta, além da equidade no cuidado dos filhos. Pessoas de diversos países responderam apoiando a ampliação da licença paternidade e a mudança cultural que ela promove.


Confira abaixo algumas respostas:

“Excelente la campaña de estas dos ONG en Brasil,los padres deben estar día a día participando en los avances y cuidados de su bebe recién nacido,se fortalecen los lazos familiares y también la madre podrá recuperarse más pronto de este proceso de haber dado a luz,desde todo punto de vista es beneficiosa esta propuesta.Por supuesto el tiempo que sea debería ser remunerado tanto si él trabaja para una empresa pública o privada,porque de no ser así no valdría la pena una Licencia Laboral sin sueldo”

  Matilde Parra Caracas-Venezuela


“A mi punto de vista creo que condecederle a un padre, mas tiempo para estar con su hijo es algo que beneficia mucho, creo que el costo es lo de menos si se sabe de los beneficios que se trae consigo y por su puesto que un padre debe tener los mismos derechos que la madre claro siempre y cuando este cumpla con todo lo que significa ser padre, tanto la madre como el padre son 2 seres escenciales para un hijo y es casi obligatorio que el ñiño tenga la oportunidad de convivir con los 2”.
Arizahi Martinez Tehuacán, Puebla


 



Giro pelos Estados



Recife (PE)

Na capital pernambucana, a campanha foi lançada com uma coletiva à imprensa no dia 05 de agosto. No dia seguinte (06), uma audiência no Ministério Público estadual reuniu representantes do poder público e da sociedade civil para debater o assunto. Além de distribuição de material informativo em sindicatos, comunidades e unidades de saúde, o Instituto Papai, através de parceria com a Grande Recife, fixou cartazes da iniciativa em 1.500 ônibus da Região Metropolitana.


Florianópolis (SC)

O Seminário Internacional Fazendo Gênero 8, realizado entre os dias 25 e 28 de agosto, deu o ponta-pé inicial para a mobilização em prol da ampliação da licença paternidade e do estímulo ao direito de cuidar em Florianópolis. O evento, cujo tema foi “corpo, violência e poder”, reuniu pesquisadores de diferentes áreas e representantes de movimentos sociais. Na ocasião, foram distribuídos panfletos e apresentadas as ações da campanha.


Rio de Janeiro (RJ)

 
No Rio, a campanha também foi lançada com uma coletiva à imprensa no dia 17 de setembro, na qual estiveram presentes, como porta-vozes, representantes do Instituto Promundo (Gary Barker), do NOOS (Carlos Zuma) e do Instituto Papai (Jorge Lyra). Nos próximos dias, material educativo e informações serão repassadas para jovens de comunidades de baixa renda, como Maré, Manguinhos, Santa Marta e Vila Aliança.



RHEG
A Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG) congrega um conjunto de organizações da sociedade civil que atuam na promoção dos direitos humanos, com vistas a uma sociedade mais justa com equidade de direitos entre homens e mulheres. A Campanha do Laço Branco é a principal ação da Rede. Fazem parte da articulação: Instituto Promundo (RJ), Instituto Noos (RJ), Instituto PAPAI, Gema/UFPE (PE), ECOS (SP), Promulher (SP), Themis (RS) e Margens (SC).


Assessoria de Imprensa da Campanha:
Nataly Queiroz
queiroz.nataly@gmail.com
(81) 9408.8095


Expediente

Textos: Nataly Queiroz | Projeto Gráfico: Anna Luiza Campos de Almeida | Revisão: Benedito Medrado | Jornalista Responsável: Nataly Queiroz (DRT: 3673 – PE)



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